buriedbird (buriedbird) wrote,
buriedbird
buriedbird

abraço

Mais ou menos onze e meia. Me chamam para retirar um objeto que caiu na via. Com fome e cansada, atendo ao chamado irritada. Estão lá embaixo um colega, uma mulher e uma criança de mais ou menos uns... Três anos, acho. Com a laterna ilumino a escuridão da via. Surge um pedaço de plástico alaranjado, pequeno, espécie de helicóptero de brinquedo. Muito simples. Penso: nunca tirei nada tão insignificante desse buraco. Mas não me irrito mais: a educação e a simplicidade da dupla para quem eu ia salvar o helicóptero me acalmou. Bem.

Desço com o gancho. Rapidamente, a central autoriza minha atuação. O menino, olhos grandes e observadores, finalmente se acalma e senta no banquinho. Lembro da época em que os brinquedos eram tudo pra mim. Geralmente brinquedos como o dele: considerados "de menino" e simples, de plástico, que minha mãe comprava na feira. E, talvez por não ter tido filhos, me sinto um pouco criança também. So que naquela aventura eu sou grande e forte - a moça que resgata as coisas do fundo do chão.

Num só golpe resgato o brinquedo. Abro o gancho e, feliz da vida, o menino pega do chão o brinquedo. Nem espera eu recolher (sim, gosto de recolher do chão o objeto e entregar na mão do usuário). De supresa, ganho um abraço do menino. A mãe me abençoa. O colega, que tudo observou, diz assim: "tá vendo? Você ganhou o dia hoje!". Digo a ele, rindo: "ganhei mesmo! Até um abracinho!". Nessa alegria, subo as escadas com o gancho cor de laranja.

Retiro o que disse sobre a insignificância do objeto. Nunca retirar algo da via foi tão bom.
  • Post a new comment

    Error

    default userpic
  • 0 comments