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Dia dos

Carreguei em meus ombros, hoje, o peso de uma maturidade esquisita.

(Essa frase poderia bem definir minha vida).

O peso de uma maturidade que eu não queria ter:
Que não condiz com minha idade.

(Uma certa ansiedade por ser velha. Tudo se justificaria na velhice? Não sei).

Andei pelo centro de compras junto às minhas origens. O centro de compras cheio de espelhos.

Olhei pra mim mesma nos inúmeros espelhos do centro de compras.

Inúmeros espelhos. Infinitos espelhos. O vazio onisciente do capitalismo mais que tardio.

Agradeci, freudianamente, ao super-ego chato que me dizia: segue em frente. O chato. O "faz o certo e resolve os problemas" que me guia até hoje.

Olhei pra mim mesma na merda do centro de compras. Enquanto amava contraditoriamente os meus de carne e sangue, desejei a mim mesma:

Feliz dia dos pais.

(A mim mesma).
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