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Um certo eu

Inevitável lembrar de Sao Bernardo quando o dia fica cinza e frio.

Inevitável lembrar da menina estranha de moletom azul que, fumando, me olha feio em todas as esquinas quando o tempo esfria assim. Com ódio e ressentimento no olhar, ela diz ironicamente, entre uma tragada e outra: "manda tudo se foder. Nunca deixe de ser você". Não levo em conta: ela usa tênis furados e traz uma bolsa velha, cheia de livros dentro, e passes de ônibus escolar, e mais cigarros. E talvez uma garrafa de vodca barata. Mas a diaba me segue em todas as esquinas, cantando um amor perdido e declarando fidelidade a uma mágoa que nunca passará.

Garoa. Faz frio. A silhueta dos telhados da industria metalúrgica se desenha contra o céu nublado. Fumaça de cobre derretido.

(Essa menina sou eu).
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